sábado, 15 de março de 2014

Corretor de imóveis.



 O garoto da casa da esquerda começou a fumar maconha.
 Apesar de seus dentes amarelados e seus olhos vermelhos, não há alguém que conteste sua felicidade.
 Com o dinheiro que ganha dos pais, não faz nada além de comprar erva. Exceto pelo dia em que tatuou o nome da mãe no braço. A mãe? Chorou de alegria ao ler seu nome tremido na pele de seu filho único, mas chorou desesperada quando ele morreu. 
 Fugindo da polícia quando lhe flagraram com maconha na mochila e descobriram que também vendia, o próprio moleque fez sua sentença. Não enxergando nada com os olhos inchados e a mochila pesada com erva nas costas, caiu da moto direto para a morte. Sangue, dentes...tudo caiu daquele rosto drogado. Menos o sorriso, marca do que havia sido provável a vida mais breve e feliz de toda aquela vizinhança.
 Já o garoto da casa da direita, tem poucos momentos de intensa alegria. Ele estuda o dia todo, boa parte da vizinhança nem sabe quem ele é. Talvez seja o menos conhecido de toda a rua, mas o mais conhecido entre os professores do colégio. Nas aulas exatas, tira sempre a maior nota. Nas aulas humanas, apresenta sempre os projetos mais criativos. Se diverte resolvendo equações e chama os números de amigos, mas quando resolve sair de casa é considerado estranho pelos outros. Inclusive pelo garoto da casa da esquerda, que entre um sorriso e um cigarro, grita "Pirralho bizarro, vá curtir a vida". Mas enquanto a mãe do "olhos vermelhos" chora, a mãe do "quatro olhos" senta no sofá de casa com orgulho, falando no telefone com uma tia distante.
 "Ah, ele só me dá alegria, tia. Tirou notas altas o ano todo e agora tá estudando pro vestibular. Meu filho é de ouro, tia. De ouro!"
 Chorou de alegria quando ele entrou na faculdade, mas chorou desesperada quando ele morreu. Acordado até tarde terminando um trabalho de física quântica, não viu quando os circuitos de um eletricista (colega de quarto seu), acidentalmente incendiaram o dormitório,e morreu tomado pelas chamas que (cercadas de tantos livros e papeis) se propagaram rapidamente. Morreu, ironicamente, no mesmo dia que seu vizinho da casa da esquerda. Sério e com uma expressão de cansado, sua última ação foi segurar com força o lápis em sua mão.

 No meio das duas casa, há um homem de terno olhando pra mim. Cabelos penteados, pele clara, dentes brilhantes e olhos azuis, seu jeito parece de quem fala bem, de quem fala muito. De quem quer alguma coisa.
 Ele estende o braço e abre a mão, como que me convidando a pegar o que ele segura ; Um cigarro de maconha, enrolado em um papel fino e muito amassado.
 Olho para o cigarro e, logo em seguida, a voz impactante e grossa do homem ecoa em meus ouvidos.
 "Qual vai ser, moço? A casa da esquerda ou a da direita?"


domingo, 9 de março de 2014

Que Vença o Melhor - Robocop VS Vingador do Futuro.

 No final dos anos 80 e início dos anos 90, um diretor resolveu mostrar a que veio. Paul Verhoeven, nascido em Amsterdã, mostrou que era sim possível acrescentar críticas sociais e roteiro surpreendente em filmes cheios de efeitos especiais porcos, ação e tiros descontrolados. Tudo isso com seus dois filmes mais famosos.
 Em 1987, veio Robocop. Filme de Verhoeven sobre um policial que, após ser massacrado por bandidos na futurística Detroit, teve seu corpo usado pela corporação OCP para criar o policial perfeito. Assim nasce Robocop, "meio máquina, meio homem. Todo policial.", que tinha todo seu cérebro computadorizado e cheio de diretrizes lutando contra a área humana que restara em si. 
 Já em 1990, veio Vingador do Futuro. Filme de Verhoeven sobre um operário chamado Quaid que, em 2034, recorre a uma empresa para que implante em seu cérebro memórias de uma viagem á Marte, já que sua esposa não concorda com uma viagem real. Ao tentar implantar tais lembranças, descobre que, na verdade, sua vida já é um grande implante e que não é quem pensa ser. Curioso e com sua vida correndo perigo, Quaid vai para Marte e se une a mutantes e rebeldes contra um grupo de vilões que querem dominar o planeta e o mercado de minério terráqueo.
 Dois filmes que, apesar de sua sinopse maluca, são de conteúdo incrivelmente profundo e que fizeram muito sucesso na época de seus lançamentos. 
 Com certeza as duas melhores coisas que Paul Verhoeven já fez em vida. Mas se colocarmos um contra o outro e analisarmos determinados quesitos, qual deles será o melhor?

segunda-feira, 3 de março de 2014

Resumão do Oscar 2014.


O Oscar foi ontem.
 A cerimônia foi incrível, extremamente divertida e todos os prêmios foram merecidos (alguns injustos e outros meio exagerados. Mas todos tinham potencial para receber um prêmio, independente de seus concorrentes em cada categoria).
 Se você não tem TV por assinatura e perdeu a cerimônia, devia ter acompanhado pelos canais de cobertura do Youtube como o Omeleteve ou LullyDeVerdade, que fizeram coberturas divertidas e bem comentadas. Ou mesmo deveria ter acessado o meu Facebook, onde saía um post sobre o Oscar a cada dois minutos (muita gente reclamou, acredite).
 Agora, se você perdeu e quer saber além dos prêmios....leia o texto abaixo comentando os principais acontecimentos da noite, que, como toda noite de Oscar, acaba de entrar pra história.


sábado, 1 de março de 2014

O Lobo do Oscar.

 Falta menos de um dia para a cerimônia de premiações do Oscar, o prêmio para os grandes filmes e artistas que se destacaram no cinema ao longo do ano de 2013 (muitos deles, aliás, tendo estreado no Brasil no início de 2014).
 Com os indicados ás 26 categorias da premiação revelados, não tardaram as perguntas.
 "12 Anos de Escravidão ou Gravidade?", "Jonah Hill ou Jared Leto?", "Os afro-descendentes de 12 Anos de Escravidão e Capitão Phillips realmente merecem indicações?" e "Animações japonesas tem espaço no Oscar?".
 Mas dentre todas essas, há ainda a pergunta favorita dos fãs, dos críticos e da tão impiedosa internet:
 Será que, desta vez, Leonardo DiCaprio leva o prêmio de melhor ator?

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Jesse Eisenberg é Lex Luthor - Dos males, o menor.


 Impossível entender o que a Warner/DC tá planejando pra esse filme do Superman (que todos apelidaram carinhosamente, e esperançosamente, de Batman VS Superman).
 Com quase nada do roteiro revelado e todas as especulações de novos personagens (aposto que se todas forem realmente confirmadas, esse filme vai ser uma bagunça incontrolável), ainda há o pior detalhe: A cada confirmação de ator que é feita pra esse filme, eu morro um pouquinho.
 É como se a Warner estivesse com uma caixa cheia de bilhetes esperados e aprovados e um único secreto e meia boca. Aí na hora de sortear os atores, sempre sai esse inesperado e meia boca.
 Foi assim com Batman. Todos preparando as palmas para Josh Brolin e...BUM. Ben Affleck é o Batman.
 Foi assim com Mulher Maravilha. Os marmanjos esperando a Jamie Alexander...e BUM. Gal Gadot.
 E agora, talvez não a mais repercutida e/ou comentada, mas a maior decepção dessas contratações acaba de ser feita: Depois de meses lendo rumores sobre Bryan Cranston (amigo de Ben Affleck e famoso por interpretar Walter White, o melhor careca da atualidade), abrimos o Omelete e lemos a notícia:
 "Jesse Eisenberg será Lex Luthor."
 E como alguém consegue ler isso e ficar calado?


domingo, 26 de janeiro de 2014

Baseado em fatos (reais).


 As melhores histórias já contadas são aquelas que realmente aconteceram.
 Aquele filme de terror assusta muito mais quando ouve dizer que os espíritos fizeram aquilo de verdade.
 O drama de superação arranca muito mais lágrimas se você souber, também, que pode encontrar o protagonista do filme apenas pegando um avião e voando para perto de sua casa.
 O livro sobre o cachorro travesso que morre no final te emociona ainda mais quando você lê na capa que alguém verdadeiro realmente pegou aquele cachorro no colo e afagou os pelos de suas costas (isso, claro, antes dele sair correndo para fechar uma praia).
 E não é entusiasmante ler sobre a história da vida de um artista sabendo que pode ir assistir a um show dele na primeira oportunidade que tiver?
 Todos esses exemplos mostram que uma das melhores formas de apreciar uma história é sabendo que ela é real, ou ao menos adaptada de uma história real.
 Um dos modos mais eficazes de saber quando um filme ou livro deriva de algo verídico é obtendo a informação da própria obra, por uma capa do material ou através de um trailer.
 Por exemplo, no caso das capas dos filmes Fuga de Sobibor e Escritores da Liberdade, e do livro O Trem.