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segunda-feira, 22 de julho de 2013

Fugindo da Rotina #06 - Meus Livros e Eu

Como o nome do blog já entrega, eu adoro ler. Tô sempre lendo, não importa o que seja. Entre quadrinhos, revistas, jornais, caderninhos e, obviamente, os tão amados livros.
Como eu não sou o único culto leitor do mundo, muitas manias surgem com a temática dos livros, inclusive as tão famosas tags (correntes) para responder um determinado número de perguntas sobre tal assunto.
E não é que eu fui indicado pra uma? *-*
A Thaís, do blog Princesa da China, me indicou para a tag Meus Livros e Eu, para responder algumas perguntas sobre meus livros (os que já li e os que tenho).

Então, lá vão as perguntas, acompanhadas das respostas.


sábado, 4 de maio de 2013

Crítica Literária - Diário De Raquel


Embora Marcos Rey tenha se consagrado como escritor devido á todas as novelas que escreveu (Fantoches!, Um Gato no Triângulo, A Última Corrida etc), sempre me chamaram mais atenções as obras infanto-juvenis que ele escreveu.
É sempre mais interessante acompanhar as obras de um artista em que ele faz o que não está acostumado...assim como Schwarzenegger é muito mais divertido em seus filmes de comédia do que em seus filmes de ação, Marcos Rey se torna mais interessante quando escreve para os jovens. Tanto que o mistério "O Rapto do Garoto de Ouro" é um dos melhores mistérios da literatura nacional, e "O Dinheiro do Céu" também é um dos melhores livros sobre o cotidiano e que consegue divertir enquanto ensina sobre o golpe militar de 1964.
Resumindo, Marcos Rey sempre divertiu...tanto em mistérios com astros do rock quanto em ficções som conteúdo histórico.
E, com o Diário de Raquel, descobrimos que Marcos Rey realmente tinha aptidão para mistérios. Não apenas sobre rock stars, mas também sobre simples garotas de rua.
Literalmente, do luxo ao lixo.


O livro fala sobre Raquel, uma bela garota de rua que tem, como diferencial, uma inteligência assombrosa. Com esses dotes em seu intelecto, Raquel consegue muita coisa...como arrumar emprego em uma alfaiataria e fazer amizade com muitas pessoas.
Porém, em certo momento, Raquel começa a se sentir (e a ser, realmente) perseguida, observada e servir de objeto de desejo de um homem misterioso...um psicopata que, automaticamente, coloca "estuprar e matar Raquel" em primeiro lugar na sua lista de metas.
Aí começa a ação.
Raquel foge do abrigo para menores em que residia, e coloca, imediatamente, três pessoas á sua busca. Regina, a psicóloga deste abrigo que se veste de Lia, uma menina de rua para procurar Raquel. Senhor M, o estuprador psicopata que mantém contatos com traficantes e usuários de drogas para encontrar a garota que tanto deseja. E Tia Vera, uma velha moradora de rua que tem, como única pista para encontrar a garota, um livro com anotações da menina : O Diário de Raquel.
E a história começa a partir do momento em que a genialidade de Marcos Rey entra em ação.
Em alguns livros, você vê o mistério se desenvolver em tempo real, com pistas sendo encontradas, testemunhas que dizem o que aconteceu...mesmo que com referências ao passado, o presente é que soluciona o crime.
Em "Diário de Raquel", acontece o mesmo que ocorre em livros geniais de Sir Arthur Conan Doyle, que é essa ligação com o passado. Porém, Conan Doyle usa os memoráveis flashbacks, que são a prova de que livro de Sherlock Holmes não é composto apenas por Sherlock Holmes.
Já em "Diário de Raquel",a ligação com o passado que faz com que os mistérios encontrem resolução é feita através da leitura do diário da garota. E isso prova a genialidade de Marcos Rey.
Combinar o ritmo em que as coisas acontecem com o ritmo em que o leitor descobre o passado da personagem é algo extremamente difícil. É fácil de imaginar Marcos Rey escrevendo essa obra, anotando em um caderno todas as datas e os acontecimentos que criou para que não se atrapalhasse quando fosse passar tudo para o papel.
Juntar fato, data e trama é algo trabalhoso...e juntar tudo isso sem fazer com que a leitura se torne chata é algo muito mais trabalhoso.
Então, de início, palmas a Marcos Rey.

Porém, essa organização não é a melhor coisa da obra.
E sim o personagem M.
Sim, o vilão, o psicopata, o estuprador...o melhor personagem presente neste livro.
Não que os outros sejam ruins, pois Raquel e Tia Vera também tem uma personalidade cativante e apaixonante.
Ler "Diário de Raquel" hoje em dia te faz amar o Sr. M, pois ele é o melhor tipo de vilão que existe.
Muito se fala, em questão a livros e filmes, de que os vilões não são extremamente bens construídos. Reclamam da motivação, dizem que não é convincente um vilão querer causar todo aquele estrago apenas motivado por coisas fúteis. E isso já joga no lixo vários clássicos, que apresentam ótima trama mas que não é aceita porque a motivação do vilão não é considerada válida.
Mas tem muitas pessoas que não consideram a maior regra do manual dos vilões : A maior motivação para alguém malvado é a maldade em si.
Estamos em um mundo fictício que, sim, precisa de realismo, precisa de pitadas do nosso real cotidiano. Mas o vilão precisa ser maligno, e a própria maldade...obsessão psicopata e antecedentes criminais já explicam tudo o que está acontecendo.
Sim, ele sequestrou inocentes, fez com que garotas menores de idade quase morressem de overdose e assassinou idosas. Por que? Porque ele queria chegar até Raquel. Só por isso? Não, porque ele é malvado.
E está tudo explicado.
Com isso já se encontra o porquê de Sr. M ser um ótimo personagem, o porquê do livro ser perfeito, o porquê de Marcos Rey ser genial e o porquê de Diário de Raquel merecer um espaço na sua prateleira.

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Crítica Literária - Quatro Num Fusca


Hoje em dia é praticamente proibido criticar negativamente qualquer artista ou personalidade que seja considerado um clássico. Falar mal de uma música do Nirvana (mesmo que seja a ridícula Beans) ou ridicularizar algum filme de Schwarzenegger (mesmo que seja o terrível Hercules In New York) é pedir para ser criticado e correr o risco de ser tachado de "sem cultura" ou "pessoa que não sabe apreciar a boa arte".
Bem, todos cometem erros, até os mais talentosos artistas. Renato Russo tinha um grande ego, Cazuza usava drogas, e Freddie Mercury fazia de tudo por um holofote.
Então, Esdras do Nascimento, clássico escritor de novelas, contos e romances brasileiros, não fica de fora disso, tendo um livro que pode muito bem ser analisado e criticado, sem nenhuma amenização por ser um escritor clássico. Afinal, existem livros ruins em todas as épocas, e escritos por todos os tipos de pessoas.


Quando se compra um livro sem nunca ter ouvido falar nele, é bem fácil citar os três motivos pelos quais você provavelmente comprou o livro:
1 - A capa te chamou a atenção.
2 - O título te chamou a atenção
3 - Você leu a sinopse e se interessou.

Se não forem esses, não existem outros motivos para ler Quatro Num Fusca, exatamente por não ser um livro famoso (e nem um dos mais conhecidos entre as obras de Esdras).
Mas isso não é defeito nenhum, até porque nenhum livro tem obrigação de ser famoso para ser considerado bom. O problema é que este livro não cumpre o que sua capa promete.
Começando pelo título, que não é nada fiel a história.
Na história do livro, o Professor Lauro organiza uma viagem em família, aonde eles vão do Rio de Janeiro ao Ceará todos metidos num fusca. E dessa viagem participam o Professor Lauro (pai), Ana Maria (mãe), Dinha (filho mais velho), Daniel (filho do meio), Andrea (filha mais nova) e Marcelo (Um menino amigo da família). Durante todo o livro, esses são os únicos personagens fixos e que apresentam algum tipo de importância na trama.
Mas tudo é uma questão de matemática até que se perceba o erro. Lauro, Ana Maria, Dinha, Daniel, Andrea e Marcelo...seis personagens viajando dentro de um fusca. O livro se chama "quatro num fusca". Ou  Esdras é terrível em matemática ou ele apenas achou que "quatro num fusca" soaria melhor do que "seis num fusca". Mas não importa o que soa melhor,o que importa é a fidelidade de um título com seu respectivo livro.
                                                                   ... ... ...

Seguindo a linha de raciocínio em que "Quatro Num Fusca" engana seu leitor, devemos analisar a história.
Na sinopse encontrada na contracapa do livro, a trama é descrita como uma aventura dinâmica que se passa durante uma viagem de fusca até o Ceará, e que também possui um constante clima de ação. Isso é mentira!
Boa parte da trama se passa dentro do fusca, com conversas que não levam a lugar nenhum e não servem de nada a não ser para ocupar espaço em algumas páginas.
A falta da ação e aventura mencionadas no livro fazem com que a leitura seja cansativa e algo que o leito tente evitar, fazendo com que o livro leve dias para ser lido, mesmo que tenha apenas cento e vinte páginas.
Em um dos primeiros capítulos,o autor parece apresentar a primeira coisa interessante em toda a trama:
As crianças mencionam que talvez possam investigar o Ceará quando chegarem lá em busca de Tarzan, que estaria morando nas "selvas" de lá.
Isso é algo que dá uma atmosfera meio "Monteiro Lobato" ao enredo, tornando o livro mais interessante e proporcionando ao leitor um tanto de esperança em relação a possíveis (?) melhorias em "Quatro Num Fusca".
Mas o Tarzan cearense e toda a busca por ele foram esquecidos! Mencionados em um único capítulo e depois abandonado, nem depois de chegar no Ceará as crianças pensaram em procurar pelo Tarzan, algo que deveria ter sido pelo menos mencionado ao decorrer da história. Esdras do Nascimento conseguiu escrever um enredo sem atrativo nenhum e ainda matou o primeiro e único indício de que a história poderia dar certo.


Mas se "Quatro Num Fusca" fracassa totalmente como ficção, ele se salva exercendo sua segunda função com certa maestria : Cartão postal.
O que a construção da trama de Quatro Num Fusca tem de pobre, a "função cartão postal" da obra tem de rica. É muito difícil decorar os nomes dos poucos personagens apresentados no livro, porém, depois de lido duas ou três vezes, a obra começa a te fazer entender melhor a geografia brasileira e ainda te dar vontade de ir viajar para o Ceará ou para qualquer outro canto pelo qual a família passa em sua viagem.
Quatro Num Fusca pode servir muito bem como um mapa ou um guia-de-bolso do sertão brasileiro, mas fracassa miseravelmente como ficção, de modo que a impressão que fica é que Esdras do Nascimento não escreveu uma história e sim uma poesia de cartão postal que ultrapassou o limite de linhas e só pôde ser publicada como livro, e na categoria ficção.

Concluindo, se estiver procurando um livro de ficção que narre uma viagem em que você, leitor, possa se divertir e passar o tempo...não leia Quatro Num Fusca pois não é isso que você procura. Leia "Viagem Ao Centro da Terra", "Emília no País da Gramática" ou, se você prefere livros fantasiosos, procure ler as sagas "As Crônicas de Nárnia" e "Percy Jackson e Os Olimpianos".
Mas se quiser uma ajudinha nas aulas de geografia (o que é bem provável, já que é muito raro algum jovem dizer que é bom em geografia), talvez "Quatro Num Fusca" possa te ajudar. Mas nem pense em se divertir enquanto estuda, pois, se envolve este livro, é uma expectativa falsa.

Nota 2 para o livro.

domingo, 18 de novembro de 2012

Crítica Literária - A Última Princesa

Creio que seja até suspeito em elogiar qualquer obra de Fábio Yabu. Mesmo tendo não lido alguns de seus livros (como "Raimundo - Cidadão do Mundo" e "Branca dos Mortos e os 7 Zumbis"), sou um fã antigo de Yabu, sendo fã de "Princesas do Mar" e tendo lido Combo Rangers quase tanto quanto li Turma da Mônica. E também fui um pequeno colecionador de bonecos Kiko, Fox, Tati, Lisa e Ken (alguns dos personagens criados por Yabu). Mesmo que tenha se passado algum tempo sem ler nada de Yabu, não pude deixar de comprar e ler o livro "A Última Princesa", na última Bienal do Livro de SP, aonde consegui até um autógrafo de Yabu (que estava autografando junto com Eduardo Spohr, que autografou também meus livros "A Batalha do Apocalipse" e "Herdeiros de Atlântida").
Então, lá vai uma pequena crítica do livro "A Última Princesa", que li em dois míseros dias.
"Todos sabem como é a vida de uma princesa: cheia de luxos e mordomias, cercada de servos devotados sob o teto de um belíssimo castelo. Mas para a nossa protagonista, a Última Princesa de um reino encantado, esses mimos e riquezas são apenas os muros de sua prisão.Banida de seu verdadeiro lar por um poderoso feiticeiro, a Princesa acabou esquecida pelo seu próprio povo. Enquanto sofre com saudades de sua terra natal, cultiva belas camélias em uma estufa em forma de palácio de cristal, ouve com atenção as histórias de seus servos e passa as noites sonhando com boas notícias que jamais chegam.Até o dia em que ela recebe a visita de um misterioso inventor chamado Alberto. Criador de maravilhas tecnológicas, ele acredita que “inventar é imaginar”, e lhe apresenta um mundo mágico, com animais mecânicos que cantam e dançam e uma casa encantada que surge nos lugares mais improváveis. O sonho mais ambicioso de Alberto é construir a Ave de Rapina: uma máquina mágica capaz de libertar sua Princesa… mas, para isso, ela também precisará enfrentar seus medos e quebrar sua maldição." ... Essa é a sinopse da obra, e tudo o que se deve saber do livro está aí. ... Não há muito pra se dizer sobre o livro, apenas que é totalmente mágico. É a primeira obra de Yabu voltada para o público jovem, mas ele não falhou em mudar de público. Talvez a prática que tenha adquirido escrevendo pra crianças tenha feito com que Yabu aprendesse a escrever com simplicidade magnífica, tratando de assuntos sérios com leveza e pura magia. Toda a arte de pôr-do-sol encontrada na capa está também espalhada pela história da obra que é um espetáculo com sangue, sofrimento e injustiças...mas não deixa de ser um encantador conto de princesa. ... Novamente elogiando a simplicidade do estilo de escrita de Yabu, é necessário frisar o quão fácil ele faz parecer a história do Brasil. O livro todo é baseado na vida de Princesa Isabel,o fim da escravidão, Santos Dumont e a criação do 14-bis. Coisas que o falho sistema de ensino e o desinteresse estudantil talvez tenha impedido os jovens brasileiros (e até os não-jovens e estrangeiros) de aprender, se tornam simples e de fácil entendimento durante a leitura deste livro. Claro que nem tudo deve ser seguido á risca, mas o claro sentido da obra não é ensinar tudo, e sim despertar o interesse e a curiosidade do leitor sobre o assunto. ... Seguindo o exemplo de livros como "A Menina que Roubava Livros" e até mesmo os da saga Harry Potter, o livro se passa em duas eras. O presente, em que a Princesa vive com o Príncipe no exílio, e o passado (representado por "flashbacks") que vai explicando aos poucos porque a Princesa está no exílio e como era sua vida antes disso. Esse estilo funciona num modo "um de cada vez", onde primeiro vem um capítulo da Princesa no exílio e o outro capítulo composto por flashbacks apenas. Como todo livro, ele começa sem que o leitor saiba o que está realmente acontecendo. Mas, diferente de muitos livros, o enredo vai se desenvolvendo e tudo começa a conversar entre si e a fazer sentido sem que o leitor perca o interessa na trama, e isso é uma característica que poucos autores conseguem passar para suas obras: Foi necessária muita habilidade de Yabu para que os flashbacks e o "presente" se encaixassem tão bem sem confusão.
Para finalizar bem a crítica, nada mais clichê que falar do final do livro. Normalmente não faço cerimônias quanto a dar spoilers de alguma obra, mas neste caso é diferente. A sensação de chegar até o seu final e se deliciar com a trama sem prévias do que acontecerá é maravilhosa e, assim como não foi tirada de mim, não deve ser tirada de ninguém. Tudo o que há para ser dito em relação ao final é: Se o livro todo é confortável e simples, como já mencionado, o final é surpreendente e potencialmente um tantinho mais complicado de se entender que o resto da trama, criando um contraste perfeito. O livro é maravilhoso e muito bem criado, seja tanto pela qualidade do escritor, da editora e até do ilustrador Matheus Lopes Castro...tudo combinou e se encaixou, criando o visual místico, científico, histórico e literário perfeito de "A Última Princesa". ... Sem mais comentários, nota 10 para o livro.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Crítica Literária - Dossiê John Lennon

Acho que esta é a segunda vez que vou falar mal de um livro aqui no blog. Espero que entendam os motivos por não ter gostado do livro.
Li o livro "Dossiê John Lennon".
Aí vai uma dica pra vocês : Nunca leia um livro que possua a palavra "dossiê" no nome, pois o resultado pode não ser bom, e tem grande chance do livro ser realmente muito ruim.
Quando comprei o livro, já o comprei esperando que fosse ruim. Desejava que fosse ótimo, afinal, sou grande fã de John Lennon e sua obra, mas claramente não esperava muito do livro.

Primeiramente, ao ler a sinopse localizada na contra-capa do livro e também seu sub-título, pode-se perceber que o livro dá a impressão de que foi escrito por um fã de Lennon que não conteve seu ânimo ao escrever. Isso também se pode perceber durante a leitura do livro, quando Sérgio Pereira Couto (o autor do livro) chama Lennon de "futura lenda do Rock" e escreve trechos como "...mal ele sabia que se tornaria um ídolo inspirador de gerações."

Já que o livro é o que gosto de chamar de "biografia que deu errado" , claro que ele tem algumas coisas que lembram uma biografia. Por exemplo: Ele realmente fala sobre a vida de John Lennon. Mas até neste aspecto ele consegue errar.

O livro é muito mal escrito , todos os dados e histórias sobre a vida de Lennon estão terrivelmente fora de ordem, e é muito importante que a cronologia esteja perfeitamente correta. Em um capítulo, Couto narra a vida de Lennon em 1978, e logo no capítulo seguinte ele narra a vida de Lennon em 1968, demonstrando assim uma fora de ordem horrível. É como se Couto houvesse reunido uma grande quantidade de jornais com notícias sobre Lennon, apenas copiando na escrita para o seu livro, sem ao menos se preocupar com a cronologia.
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Um dos grandes lances que fazem biografias fazerem sucesso é o autor se fazer de bobo, fingir que não sabe o que vai acontecer, narrando cada capítulo com um ar de surpresa, fingindo que não sabe que a pessoa da qual o livro fala sobre se casa/morre/se muda/faz sucesso/etc no final do livro. Couto faz o oposto disso nesta obra, falando sobre os acontecimentos pós-morte de Lennon antes mesmo da morte de Lennon ser narrada. Um erro fatal para uma obra literária.
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O defeito que persegue "Dossiê John Lennon" é o mesmo defeito que persegue vários outros livros, inclusive outras obras de Sérgio Pereira Couto. O cara vai lá e se forma em jornalismo. Isso significa que ele é um ótimo jornalista, mas não o qualifica como um bom escritor.
Achando que tem talento para escrever livros só por ser inteligente e por ter talento para escrever colunas jornalísticas, escritores como Sérgio Pereira Couto acabam criando livros com propósitos bons (como detalhar a vida de Lennon) mas que faltam qualidade de escrita.

Nota 01 para o livro.
Tomara que o espírito de Lennon só leia  outras biografias suas.





segunda-feira, 14 de maio de 2012

Crítica Literária - A Batalha do Apocalipse - Parte 2 (Final)

Para ter acesso á parte 1, clique aqui 1

ATENÇÃO : O texto abaixo contém spoilers (revelações sobre o enredo) do livro A Batalha do Apocalipse.


Então, enfim terminei de ler ABDA, na minha opinião, o melhor livro brasileiro que li em toda a minha vida.

Então, tentarei escrever aqui comentar alguns detalhes do livro que não narrei no primeiro texto, e ainda dizer minha impressão sobre o desenvolvimento e final da história.



Um dos grandes triunfos do livro já citado na crítica anterior é a fantástica construção de personagens. Mas, os personagens citados no texto anterior foram os principais (Ablon, Shamira , Lúcifer, Miguel e etc.), e não os meus favoritos que foram ganhando esse título durante suas aparições na trama. Agora, lá vem a definição dos meus personagens prediletos:

Orion  - Foi, no passado, um grande rei de Atlântida, mas quando sua cidade foi dizimada, aliou-se á Lúcifer, e começou a fazer parte do seleto grupo dos oito duques do inferno, liderados por Lúcifer. Uma grande característica de Orion, é que mesmo sendo um "demônio" não perde seus costumes angelicais, ajudando seus amigos quando esses precisam.

Aziel - Um anjo ishim controlador da província do fogo, Aziel, por mais fraco que seja, é um guerreiro bravo, e sua devoção por Gabriel são dignas de um personagem secundário perfeito.

Amael - De todos, o meu preferido. Sempre choroso e lamentando por dentro por ter ajudado a destruir Atlântida, Amael sempre transpareceu ser um demônio fraco e dependente de Lúcifer, mas mostrou ser o contrário disso quando, no final do livro, aniquilou Lúcifer com a ajuda de Aziel.

Ainda falando sobre Amael, Eduardo Spohr (o autor da obra) foi muito inteligente ao colocar em Amael uma característica que poucos escritores conseguiriam colocar em outros personagens. Ele conseguiu deixar a história de Amael bem visível e imaginável durante todo o livro, nunca deixando segredos sobre o sofrimento presente em sua consciência, e acabou fazendo com que Amael passasse despercebido durante todo o livro, exceto no final, quando mostrou "a que veio" finalmente deixando sua essência culposa e todo seu poder oculto aflorarem. Exatamente como J.K. Rowling fez com o personagem Severo Snape na saga Harry Potter. Para mim, o melhor personagem do livro, embora não tenha aparições tão presentes quanto as de Ablon e até mesmo Aziel.
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Um dos pontos fortes do livro, é que a linguagem utilizada é uma linguagem compreensível. É certo que palavras como "imensurável, estupendo e magnânimo" são usadas com constância, mas qualquer um entenderia o sentido das palavras, dependendo do contexto. São palavras pouco usadas, mas não palavras desconhecidas como "vilipendiado".
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Como todo boa obra literária com mais de trezentas páginas, "A Batalha do Apocalipse" tem uma série de segredos que ajudam a compor sua trama, e, diferente de alguns grandes sucessos dentro (Agatha Christie) e fora (Lost) da literatura , todos os segredos são solucionados de forma fantástica.
Citarei alguns segredos que tiveram grande importância e foram solucionados com grande esperteza de Eduardo Spohr:
* Miguel e Lúcifer estavam, desde o início, arquitetando uma aliança para que pudessem governar juntos o universo após o apocalipse.
*Os personagens Anjo Negro e Apollyon são a mesma pessoa.
*Yaweh (Deus) não estava adormecido durante todo o livro, e sim havia se "espalhado" por todo o mundo, formando a alma da natureza e grande parte da essência da alma humana.
*O arcanjo Gabriel é o verdadeiro pai de Jesus Cristo, o Salvador.

Se referindo ao último segredo citado, existem algumas coisas importantes que se é necessário saber.


Existem várias história baseadas nos contos bíblicos apresentadas durante a trama do livro.
É bem provável que este livro possa despertar a raiva dos religiosos justamente por utilizar as histórias bíblicas de modo tão controverso, então é necessário que se deixe bem claro que:
O livro não apresenta nenhuma teoria! É pura ficção. O negócio é o seguinte, Spohr escreve tão bem que seus contos fantásticos são tão fantásticos que nos fazem pensar. Mas para que se entenda A Batalha do Apocalipse como a representação de alguma mitologia ou religião é preciso ser um retardado mental (palavras do sábio Jô Soares, em sua entrevista com o autor Eduardo Spohr).
O fato dessas história nos fazerem refletir, pode ser explicado com um provérbio italiano.
Se non é vero é ben trovato. Traduzido como "Se não é verdade, é bem inventado".

E para finalizar a crítica, um breve comentário sobre o final do livro, sem revelar muito, pois muitos mistérios já foram revelados nessa crítica, fazendo com que a quantidade de spoilers possa estar irritando.
Então, o final se utiliza de um elemento-surpresa que faz com que somente quem leu o livro com muita atenção o entenda, já que um "elemento" necessário para o final feliz é apresentado mais ou menos na faixa de duzentas páginas do livro, e a obra se finaliza em 586 páginas, ou seja, boa memória e atenção são necessárias para se ler o livro.
O único empecilho que impede o livro de ser considerado um livro perfeito, é o final feliz, com namoradinhos vivendo no mundo perfeito, pacífico e sem guerras. Mas tirando esse final á la Spielberg, o livro é ótimo. A melhor obra brasileira que leio em anos.

Nota 9,5 para o livro, meu favorito livro nacional.
E nota 10 para a qualidade de escrita do autor, grandioso Eduardo Spohr.



                                         
                                           

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Crítica Literária - A Batalha do Apocalipse - Parte 1

Então, estou lendo este livro "A Batalha do Apocalipse" por três principais motivos. O primeiro deles é que pretendo me divertir, e é isso que um livro de fantasia oferece. O segundo motivo é que o site Jovem Nerd, ao qual acesso diariamente, sempre vivia fazendo uma grande divulgação do livro, então resolvi dar uma averiguada. E o terceiro motivo, é que percebi que todos os livros dos quais eu fiz críticas aqui no blog, nenhum tinha sido muito famoso (com excessão d'O Menino do Pijama Listrado), e resolvi mudar isso com esse livro aqui, que já é bem reconhecido no Brasil e, quem sabe, no mundo.
Então, o único imprevisto foi o número de páginas do livro (586), então resolvi dar uma encurtada na crítica, e escrever sobre o que eu li até agora ( 250 páginas),e fazer a continuação da crítica quando terminar de ler o resto.
Então, lá vai a primeira parte.


Só de olhar para o título e a capa de A Batalha do Apocalipse (ABDA, para abreviar) pode-se perceber que não é um livro que ocorra em uma atmosfera realista.
Os personagens da estória, em sua grande maioria, são anjos, feiticeiros, fadas, entidades, espíritos e demônios. E isso é um ponto que faz com que o livro seja bom. Por ser um livro atual, sem antecessores de seu ator muito famosos, a presença de criaturas conhecidas pelo grande público cria um certo conforto para o leitor. Criar novas criaturas ou raças de criaturas não seria algo apropriado para um autor pouco conhecido, então apostar em demônios, anjos e "lendas antigas para compor sua história" foi uma boa idéia do autor Eduardo Spohr.
Parece apropriado pensar que pelo mesmo motivo de ter usado criaturas conhecidas, Spohr optou por personagens conhecidos. Não são muitos os personagens que Spohr "roubou" da cultura popular, mas os que ele escolheu realmente foram para criar grande impacto na trama, como os anjos Miguel e Gabriel, e o tão famoso Lúcifer. Até a própria "serpente" que tentou Eva a comer a maçã aparece no livro.

A história do livro consiste em uma grande batalha, a maior guerra de todos os tempos, a Terceira Guerra Mundial que, para nós, humanos (seres terrenos) será apenas uma guerra como qualquer outra (tendo a excessão de envolver muitos e muitos países). Mas para os anjos, demônios e seres que possuam um pouco de conhecimento sobre o plano espiritual, será a guerra final entre os que apoiam Miguel na devastação dos seres humanos, e os que são a favor da vida e existência dos seres humanos. E por ser uma "guerra", Eduardo Spohr demonstra toda a sua inteligência em elaborar estratégias ou combates majestosos, dignos de anjos.
E, falando na guerra, é impossível deixar de mencionar a incrível construção de personagens.
Seria impossível mencionar todos os personagens, mas até a parte a que cheguei, os mais principais tem sido:
Ablon: O Anjo Renegado, a história se baseia nele e em sua triste história de ter sido expulso do céu, e no tempo em que passou na Terra, ter conhecido e criado laços muito fortes pela feiticeira Shamira. Como todos os outros personagens do livro, tem a personalidade muito bem construída, nunca variando seus interesses (que, não importam quais sejam, sempre estarão abaixo do interesse de proteger Sahmira), e protegendo sua filosofia de nunca ir cotnra seus ideais de proteger os humanos.

Shamira: A Feiticeira de En-Dor, muito amiga e próxima de Ablon. Também com a personalidade muito bem construída, o livro, até agora, tem consistido em contar histórias sobre ela ou Ablon. Sua inteligência, bondade e lealdade nunca falham.

Miguel: O Príncipe dos Anjos, tem como sua missão inicial proteger o leito de Yaweh (Deus) enquanto o mesmo dorme. Mas o poder a ele conferido foi mal usado, pois, baseado em conceitos que podem ter sido (de certo modo) "roubados de Hitler", ele pretende eliminar os humanos, deixando assim apenas os seres "puros" como anjos, querubins e etc.

Lúcifer: O Arcanjo Negro, é conhecido por todos como O Diabo, pode ser considerado alguém simplesmente que não quer ver Miguel no poder, seja quais forem as circunstâncias, ele quer sempre que Miguel tenha seus objetivos atrapalhados, mas ás vezes exagera, criando males e enfermidades até para outros seres. Por exemplo, a expulsão de Ablon do céu foi culpa sua, tanto quanto a destruição da vida de Amael, O Senhor dos Vulcões.


Ainda focando no Universo criado pelo autor, é válido dizer que ele fez algo invejável  - Não precisou criar um mundo novo para introduzir seus personagens.
Muitos escritores, na verdade a maioria deles, quando resolvem criar um livro de fantasia, precisam criar um mundo inteiro, para que não façam mudanças no mundo real muito grotescas, e assim nasceram os universos de Nárnia (C.S. Lewis), Terra Média ( J.R.R. Tolkien) e, parcialmente, o mundo bruxo (J.K. Rowling).
Mas Eduardo Spohr foi inteligente, criativo e conhecedor do cotidiano o suficiente para introduzir todas essas criaturas e acontecimentos surreais no mundo real, sem alterá-lo de modo algum, e isso é uma façanha incrível, que poucos autores ( como Rick Riordan) conseguiram criar com êxito (não desmerecendo os autores que criaram seus próprios mundo até porque, pelo menos os que eu citei, são geniais).

Então, resumindo, A Batalha do Apocalipse tem um autor inteligente, uma história que envolve todos os tipos de público, personagens bem construídos e cenário mais característico impossível.
Um livro tão bom que nem parece brasileiro.

Enfim, essa foi minha "primeira impressão" do livro, e, assim que terminar a leitura, a continuação da crítica estará aqui, "ao vivo e em cores" .


terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Crítica Literária - Diário de Um Adolescente Hipocondríaco

Antes de começar o texto eu gostaria de pedir desculpas. Pela primeira vez o uso da palavra "desculpa" no plural vai fazer sentido, porque quero pedir perdão duas vezes.
O primeiro perdão eu peço para quem constantemente visita o blog (e eu sei que tem gente que visita , pois as estatísticas do Blogspot não mentem) e não tem visto nada novo desde o dia 10 de novembro. Eu não vou mentir, dizer que estava muito ocupado para pensar no blog, pois eu nunca tive tanto tempo livre como estou tendo agora. A verdade é que não tenho postado devido a falta de criatividade que me impede de criar histórias ou escolher temas para debater e escrever artigos sobre. A preguiça também colabora, mas prometo que o blog nunca mais vai passar por essa fase vazia e sem textos como passou nesse último mês.
Agora eu tenho disposição e prometo que logo vocês verão novidades aqui no blog.

E o segundo perdão vai para qualquer um que leia o texto a seguir, mesmo que não visite o blog com uma certa frequência. Acho que esse é a primeira crítica literária em que eu não falo bem do livro (não que eu vá falar mal, longe disso, só vou mostrar que criticar não é apenas falar sobre). Então, se o texto soar um pouco "antipático" demais, não é porque sou assim, e sim porque não gostei do livro.
Se quiserem demonstrar sua opinião sobre o livro, sintam-sem á vontade, mi casa, su casa. Desde que não tentem mudar a minha opinião, respeito a todos vocês.
E agora sim, o texto!
O livro "Diário de um Adolescente Hipocondríaco" não foi feito para ser um dos livros mais vendidos, ou para ser entitulado como "um livro para toda a família"  ou para divertir e emocionar, como a maioria dos livros.
O livro foi feito para ensinar sobre várias coisas (em sua maioria a "saúde" e outros temas da adolescência).
Então, o livro é como se fosse um livro didático com histórias em formato de diário.
Resumidamente, é um tipo de livro infantil para adolescentes.

Peter Payne é um típico adolescente que anda de bicicleta, tem um amor secreto, vai ao McDonald's vai á escola e que sofre com as mudanças da adolescência. Até aí ( e até o prólogo do livro) a história parece ser interessante, cativante e atraente para qualquer adolescente (eu disse "qualquer", até mesmo os que não tenham o costume de ler) que tenha uma vida parecida com a de Peter. Mas só parece.
A partir do primeiro capítulo do livro, "Como descobri que era hipocondríaco", o leitor começa a perceber que o que ensaiava ser mais um livro adolescente estilo "Thalita Rebouças" é na verdade um guia sobre saúde entre outras curiosidades (como o corpo humano) disfarçado de sucesso adolescente.
O grande truque de fazer com que esse enorme guia se pareça com um diário são as minúsculas partes em que Peter para por alguns segundos de escrever quantas batidas nosso coração dá por minuto e conta sobre como ficou preocupado quando descobriu na escola quantas batidas nosso coração dá por minuto. Ou seja, o livro se divide em "Peter falando sobre doenças" e "Peter falando sobre como saber sobre as doenças afetaram a vida dele".
Em certo ponto na criãção e desenvolvimento do livro, os autores (Aidan Macfarlane e Ann McPherson) perceberam que se aquilo era destinado aos adolescentes, não deveriam haver apenas informações que ajudassem os garotos (porque muitas vezes no livro, "temas masculinos" como masturbação, espermatozóides e espinhas são tidos como prioridade). Então, para que as garotas também aprendessem algo com aquele livro, os atuores resolveram que Peter deveria entrar no quarto de sua irmã mais nova Susie e roubar seu diário. Não apenas para ler, tudo o que Peter leu no diário de Susie, ele re-escreve em seu próprio diário como se soubesse que alguém, algum dia iria se interessar e ler o diário que ele escreveu quando tinha apenas quatorze anos de idade.
E em todas as vezes em que escreve sobre o que leu no diário de Susie, Peter narra detalhadamente curiosidades sobre "coisas de garota", como menstruação, preocupação com o peso, gravidez, e etc.
Parece que Macfarlane e McPherson gostaram de escrever sobre curiosidades femininas, pois um tempo depois eles lançaram o livro "Diário de Susie", onde dão prioridade as doenças femininas.

Mas não vamos perder o foco, e continuar falando do "Diário de um adolescente hipocondríaco".
É injusto culpar os autores do livro por tudo o que eu disse acima, pois "escritor" não é a profissão que os dois exercem com mais maestria. Aidan Mcfarane, por exemplo, é pediatra e alguns de seus livros já escritos são "A psicologia do parto" e "O livro de bolso da saúde da criança". Já Ann McPherson é especialista em clínica geral e também é autora de "Aborto espontâneo" e "Problemas da mulher na clínica geral". Portanto, o objetivo dessa crítica é criticar o livro e não seus autores.

Peter e sua irmã Susie não são os únicos personagens  do livro, embora sejam os que mais "apareçam" devido a serem os únicos que se interessam com a saúde acima de tudo. Outros personagens citados e que poucas vezes fazem algo de importante para a trama são os pais de Peter (que discutem bastante, o que proporciona ao leiotr vários parágrafos sobre divórcio), a irmã mais velha de Peter (que em certo momento do livro pensa estar grávida, nos rendendo alguns parágrafos sobre gravidez na adolescência), o melhor amigo de Peter (que não tem nenhuma utilidade na trama, só é mencionado porque todo "personagem adolescente" precisa de um melhor amigo), e a garota por qual Peter é apaixonado (talvez a mais mencionada de todos dessa lista de personagens). Sobre a amada de Peter, é válido mencionar que o livro acaba com os dois se beijando, e é muito impressionante que depois do beijo não haja um grande capítulo sobre doenças transmitidas por um beijo.

Um dos únicos motivos para o livro não ser um fracasso total, são as ilustrações. O ilustrador John Astrop tem muito talento e a ilustração de Peter e Cilla se beijando é uma das partes mais interessantes do livro, e é uma das poucas coisas no livro que realmente ilustra algo que interessa os "típicos leitores adolescentes".
E, por último, se quiserem comprar este livro, comprem. Mas não compre acreditando em tudo que os sites de vendas dizem, pois tanto na descrição deste livro como na descrição de O Diário de Susie havia a frase "O livro é escrito em linguagem jovem, o que cria maior proximidade entre o leitor e a obra." É mentira! Eu li o livro, e é apenas mais um daqueles constantes livros/filmes/programas de Tv que tentam se aproximar do leitor/telespectador usando gírias o tempo todo. E como todo clichê adolescente, o livro contém gírias que não são usadas, como maneiras de nomear coisas como órgãos sexuais e drogas.

E para finalizar, o fato do livro ter sido escrito apenas para informar não está apenas na minha cabeça, mas também na cabeça dos autores, tanto que no final do livro há um índice onomástico que ajuda a manter o leitor informado sobre tudo o que deveria ter aprendido durante a leitura do livro.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Crítica Literária - O Menino do Pijama Listrado.

É difícil falar sobre um livro quando o próprio autor não encontra palavras para descrevê-lo, mas é prudente tentar.
Quando peguei o livro "O Menino do Pijama Listrado" na biblioteca de minha escola, olhei sua contra-capa esperando encontrar algum tipo de sinopse. Mas não foi isso que eu encontrei.
Encontrei comentários sobre o livro de organizações de respeito como "The Irish Independent", "USA Today" e "The Guardian". Comentários positivos, é claro, pois qual livro mostraria críticas negativas em sua contra-capa?
Depois de não encontrar sinopse na contra-capa, fui á orelha do livro. Pois quando a contra-capa é desprovida de sinopse, normalmente ela está na orelha. E o que encontrei na orelha foi o seguinte:
É muito difícil descrever a história de O Menino do Pijama Listrado. Normalmente, a orelha traz alguma dica sobre o livro, alguma informação, mas nesse caso acreditamos que isso poderia prejudicar sua leitura, e talvez seja melhor realizá-la sem que você saiba nada sobre a trama.

E isso despertou minha curiosidade. Foi como um desafio para mim. Soou como " Não vou te dizer nada. Leia-me, ou nada saberá!". E foi o que fiz!

A história se passa durante a segunda guerra mundial, antes do início dos combates.
Bruno é um garoto alemão de nove anos que se muda para um campo de concentração na Polônia com sua família, devido a um emprego que o pai (comandante do exército nazista) recebera lá. O livro perde muitos capítulos com Bruno tentando se acostumar com o novo lar, e, enquanto isso, aprendendo um pouco mais sobre os soldados do exército nazista e como tratam seus prisioneiros.
É incrível a maneira como John Boyne (autor) reproduz em Bruno a real inocência e ingenuidade das crianças reais, como quando Bruno vê os judeus (mesmo desconhecendo essa palavra) aprisionados no campo de concentração e acha que são fazendeiros.
Outro exemplo da inocência fielmente reproduzida em Bruno, é quando ele imita os adultos dizendo Heil Hitler (Viva Hitler, traduzindo do alemão para o português) como se fosse um simples "Tenha uma boa tarde" sem nem questionar seu verdadeiro significado.
No meio do livro, finalmente o título do livro faz sentido! Bruno resolve brincar de explorador e anda em volta da comprida cerca que envolvia o campo de concentração em que os prisioneiros dos nazistas (judeus, comunistas e soldados com antecentes judeus) e acaba fazendo amizade com um garoto judeu magro, de cabeça raspada e pele suja e cinzenta, que trajava todo o tempo um pijama e um boné listrados, usados para que os nazistas diferenciassem os prisioneiros dos soldados.
O garoto se chama Shmuel.
A amizade dos dois garotos nos leva a outro tópico muito interessante: O respeito pelos pais e suas decisões e opiniões.
Bruno sempre tivera muito respeito por seu pai Ralf e nunca questionara suas decisões, ás vezes até imitando seus dizeres em homenagem a Hitler ou respeitando quando seu pai lhe dizia que os judeus não eram pessoas de verdade. A questão da inocência entra de novo neste tópico, pois não é certo considerar Bruno um nazista, mas sim um garoto de linhagem nazista. Nunca, no livro, ficou provado que Bruno concordava com as opiniões de seu pai, mas ele não as questionava. Jhon Boyne não deixava isto claro no livro, outro motivo para que ele seja considerado um dos melhores escritores vivos.
Logo depois que Bruno conhece Shmuel, ele passa ver os judeus de um ponto de vista diferente. O ponto de vista em que são todos iguais, e só uma diferença de nomes não é motivo para aprisionamento e maus-tratos.
E então Bruno se vê dividido entre ser motivo de orgulho do pai seguindo seus ideais e parar para pensar no que é certo, justo e tenh sentido, como aprendeu com Shmuel.
E se Bruno escolheu ou não o caminho do nazismo ou da justiça, fica a critério e poder de percepção do leitor. Outra grande sacada de John Boyne!

Um lado intrigante sobre o estilo de escrita de John Boyne: Indiretas.
Nada é muito direto neste livro, e, como eu já disse, o que aconteceu fica ao critério e poder de percepção do leitor.
Por exemplo, é dito várias vezes que a mãe de Bruno ficava cochichando pelos cantos com o tenente Kotler, e em um capítulo até a flagra chamando-o de querido. Tempos depois disto, o pai de Bruno, comandante do exército nazista, transfere o tenente para outro país. Fica a idéia de que a mãe de Bruno e o tenente Kotler estivessem tendo o caso, mas não fica nada explicíto. Se você lesse o livro sem atenção ou interesses, nem perceberia a presença de um possível caso entre a mulher do comandante nazista e um tenente.

Outro caso de mensagem indireta no livro envolve uma pessoa muito conhecida e outra nem tanto.
Enquanto ainda estão na Alemanha, Bruno e sua família recebem a visita do Fúria e sua esposa.
O Fúria é descrito como alguém que manda no país (como um ditador) e que usava um cabelo curto e escuro, com um bigode minúsculo. Além disso, sua esposa é chamada de Eva durante a visita.
Que ditador nazista que nós conhecemos que tem cabelos curtos, bigode minúsculo e uma mulher chamada Eva?
Bem, o livro em nenhum momento diz que eram Eva e Adolf Hitler, embora isto esteja bem claro, mas não explícito.

Recomendo o livro, que agora se tornou meu predileto. Advirto que é necessário o mínimo de conhecimento sobre a Segunda Guerra Mundial e suas causas para que seja feita a leitura do livro e se tenha total entendimento.
O livro é um jeito de se autoconhecer, pois o livro coloca o personagem principal em situações em que seu caráter é testado, e ninguém lê um livro sem pensar em si mesmo.
"O que eu faria?" eu me perguntei várias vezes durante a leitura.
E antes de terminar esta crítica (que mais me pareceu uma análise) sinto que devo dar a mesma advertência que o autor do livro:
Embora o livro conte a história de um garoto de nove anos, não recomendo o livro a outros garotos de nove anos.

sábado, 28 de maio de 2011

Crítica Literária - Dinheiro do Céu

Fui a biblioteca de minha escola e graças  á regra de " escolher o livro que quer somente pelo nome e nome do autor" eu escolhi Dinheiro do Céu, de Marcos Rey. Escolhi este porque adoro romances policiais e sei que este era o tema preferido de Marcos Rey. Mas senti raiva quando, em casa, abri o livro e me deparei com os seguintes dizeres:
                               Dinheiro do Céu não é uma história policial como as anterirores que escrevi para esta coleção - desculpem-me.


E mesmo não gostando de ter sido enganado por um escritor que morreu em 1999, resolvi que leria o livro até o fim. E faria isso rápido. Motivos:
1. Há um prazo de cinco dias para entregar os livros para a biblioteca.
2. Eu queria mesmo trocar de livro logo.
3.  Queria ficar livre para os trabalhos de escola!

Peguei o livro ontem, terminei hoje. Não por causa dos motivos citados acima. E sim porque me apaixonei pelo livro. Por quê? Leia abaixo.
 história se passa em 1964, mas o assunto principal não é o golpe militar que ocorreu na quela época. Don Francesco, o mais velho da família, pega as economias da família e vai para Itália, mais especificamente em Chiaromonte, pegar dos parentes italianos a parte de uma herança que lhe pertence.
Mas o que surpreende é que apesar de o título retratar a viagem do nono na Itália, o livro não dedica nem um sequer capítulo para narrar o tempo que Don Francesco ficou na Itália e o que aconteceu nesse tempo.
A nhistória conta o que aconteceu com a família brasileira desse velho enquanto ele estava na Itália, mais necessariamente o que aconteceu na vida de Dani, o personagem principal e narrador da história.
Adorei os personagens. Pois melhor que um personagem original é um personagem tão clichê que faça nós nos identificarmos com ele. Amei as frases de efeito ( geralmente ditas pelos personagens Salvador, Mandrake e Gianini).
O livro me ensinou a ler através do que está escrito. Aprendi que um simples "Lindo, lindo, lindo!"  pode significar um belo " O tempo em Nápole está ótimo, estou muito feliz e alegre. Não se preocupem, volto logo coma herança."
A maioria dos fãs de Marcos Rey não gostam deste livro porque não tem um final feliz. Eu achei o melhor livro de Marcos Rey simplesmente por não ter final feliz.
O livro não acaba como esperado, com tudo ás mil maravilhas e todo os planos dando certo e os personagens viveram felizes para sempre. Mas também não acaba triste, com os personagens infelizes e tudo desiludido. Acaba como a vida. Alguns problemas solucionados, outras coisas que pareciam boas e pioram e depois voltam aos eixos. Desilusões amorosas, explosões sentimentais, viagens e o belo e corajoso ato de seguir em frente.
Só acho que a capa não mostra o que realmente interessa no livro. A capa original sim, que mostra Dani escolhendo sua fantasia para o baile do sábado de Aleluia. Mas não a nova, que postei acima. A capa nova mostra Don Francesco, com seu guarda-chuva e sua mala, indo até o navio para embarcar e partir para a Itália.
E agora uma pequena análise sobre os personagens principais:
Don Francesco: Na casa dos oitenta anos, pega as economias da família e vai para a Itália em busca de uma herança que poucos acreditavam que existia. Acredito que Marcos Rey tenha o criado para expressar que a impulsividade e a valentia não são obras somente dos jovens.

Atílio: Filho de don Francesco, um exemplo de adulto responsável. Não tem muita importãncia na história, mas é o tipico pai de família que é contra os costumes atuais e defende costumes antigos como tango, salsa e as mulheres de vestidos longos e os homens de chapéu.

Romilda: Esposa de Atílio. Mãe preocupada e dedicada, o tipod e mãe que todo adolescente queria ter. Deixa seus filhos seguirem suas vidas e não se mete em todos os assuntos de todos da casa.

Roberto: Filho mais velho de Atílio e Romilda. Ninguém sabe como consegue tanto dinheiro, roupas chiques, carros caros e um apartamento de luxo. É o personagem principal de um dos maiores mistérios da história.

Fúlvio: Irmão de Roberto. Se sonho? Sere responsável como o pai e cursar a faculdade de medicina. Debocha de tudo, mas não deixa de ser um personagem sério.

Teresa: Vinte e seis anos nas costas e nunca namorou. Passa a vida a ler fotonovelas e tem um certo segredo. Fica o tempo todo na janela, mas ninguém sabe o que fazendo. Representa as moças tímidas que não namoram por medo dos pensamentos dos pais.

Danilo: Mais conhecido como Dani, representa os jovens de todo o mundo. Acho que não preciso falar muito dele, porque já o citei acima.

Mafalda: Namorada de Dani. Insegura como relacionamento e cada vez mais madura e preocupada com o futuro, é incrível como Rey conseguiu criar uma personagem tão parecida com as garotas da vida real.

Tio Salvador: Sem dúvidas  meu personagem favorito. Não trabalha ou estuda,e mroa no quarto dos fundos da casa por ser irmão de Romilda. É o clássico personagem vagabundo e opinador, que dá conselhos para os personagem principais e ganha o carinho do público. Exemplso de outros "tios Salvadores" são Gordy ( Manual de Sobrevivência Escolar do Ned), Seu Madruga (Chaves) e Augustinho Carrara (A Grande Família). Não tem coragem de mover um músculo para trabalhar mas quando o assunto é tomar vinho ou lutar por seus ideais nninguém consegue segurá-lo.
Personagens citados antes do quadro de personagens ( como Mandrake, Farid e Gianini) não ganharam citação acima pois revelam mistérios sobre a trama.

Uma das melhores coisas deste livro é que ele mostra que entre 2011 e 1964 não há tanta diferença assim.


P.S: Não gastem seu tempo reclamando por eu falar de livros velhos. Livros não envelhecem, o que envelhece é o leitor, e é direito de cada um expressar suas opiniões sobre assuntos antigos, atuais ou futuros.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Crítica Literária - A Viagem do Peregrino da Alvorada

Há poucos dias terminei de ler o livro A Viagem do Peregrino da Alvorada, da série As Crônicas de Nárnia, escrito por C.S Lewis. Em ordem cronológica, é o quinto livro da série, mas em ordem de escrita é o terceiro. Foi adaptado para o cinema há pouco tempo, pela Fox (diferentemente dos dois anteriores, que foram adaptados pela Walt Disney), mas ainda não tive tempo de assistir o filme, entretanto, li o livro, e vou dizer agora o que achei.

O livro fala da terceira vez em que os irmãos Pevensie vão a Nárnia, mas somente dois deles vão (Edmundo e Lúcia), e levam, sem querer, seu primo resmungão  Eustáquio. Vão parar em Nárnia por meio de um quadro, que os puxou para dentro de si, os jogando para dentro do Peregrino da Alvorada, um barco narniano, que está a procura dos sete fidalgos que Miraz, o ex-rei cruel de Nárnia, baniu do páis maravilhoso. Dentre os conhecidos de Lúcia e Edmundo presentes no barco estão Caspian X (Sobrinho de Miraz, e agora rei de Nárnia. Foi Caspian quem teve a idéia de procurar os set fidalgos utilizamdo-se de um dos melhores barcos de Nárnia.) e Ripchip (Um rato valente, corajoso, e pode ser comparado aos soldados patriotas da Europa e de outros cantos do mundo, que são capazes de fazer de tudo por seu país de origem. É um dos mais devotos a Aslam, o grande leão, que está a bordo.)
Um dos personagens que mais me chamou a atenção foi Eustáquio Clarêncio Mísero, primo de Lúcia e Edmundo, que no começo do livro ( e em quase metade dele) era muito resmungão, mal -educado e infantil. Depois de passar por uma difícil situação (que citarei qual é mais abaixo, no quadro de spoilers), Eustáquio vai mudando aos poucos de personalidade, se tornando uma pessoa educada, amigável e agradável. Mas não muda por completo, mostrando, ás vezes, somenta ás vezes, que seu lado irritante e mal-educado ainda não morreu completamente. Acho que foi com Eustáquio que Lewis( o autor) quis mostrar que não é fácil se livrar de um vício (que no caso de Eustáquio é a má-educação) e que recaídas pequenas são normais, mas, de um jeito ou de outro, o vício acaba morrendo.
Em minha visão, Eustáquio também é o retrato das milhares de crianças que desistem da infância para pensar em coisas sérias e adultas, esquecendo-se de coisas de criança como brincar, se divertir, e acreditar em magia.
Em um dos capítulos finais do Livro, Caspian (já mencionado acima) recebe, em seu camarote do barco, um aviso de Aslam, o grande leão, dizendo que já está na hora de Lúcia, Edmundo e Eustáqui voltarem para o nosso mundo. Depois disso Caspian fica muito arrogante e perturbador, assim como Eustáquio e Edmundo em suas primeiras aparições na série, mas logo depois se arrepende de ter tratado todos mal e cai na choradeira. Esse é um retrato de como nós ficamos furiosos quando recebemos uma notícia ruim (como a morte de um ente querido), de como ficamos desesperados procurando alguém para culpar, e de como ficamos arrasados quando finalmente entendemedos que as coisas acontecem porque devem acontecer, e não existe nenhum culpado.
Como quase todos os livros bons, termina com um final feliz , com todas as metas compridas e desejos realizados.
Além disso posso comentar que Lúcia, a Destemida, disse algo para descrevero cheiro dos lírios, mas que serve também para descrever o amor, e que vou levar para a minha vida toda.

                        Sinto que não posso mais aguentar isso e, no entanto, não quero que acabe.
Se você tem o livro As Crônicas de Nárnia, Volume Único, coloque na página 510 para ler esta bela frase com seus próprios olhos.


Quadro de Spoilers
Eustáquio se transforma em dragão, o que muda sua personalidade depois de se transformar novamente em humano.
O Peregrino da Alvorada, o barco, consegue encontrar os sete fidalgos, mas dois deles estavam mortos. Um foi morto por um dragão, e o outro morreu quando foi nadar em um rio mágico que o transformou em ouro.
Ripchip, o Rato, navegou sozinho até o Fim do Mundo, e até hoje vive saltitando e lutando felizmente no País de Aslam.
No livro seguinte a este, Lúcia e Edmundo não retornam a Nárnia, mas Eustáquio sim. Só que no último livro da série, todos retornam a Nárnia, exceto Susana, a Gentil.