sábado, 2 de agosto de 2014

Harry Potter Fanfic - Fases da Lua

Arte de Mateus Queiroz


 Aquela garota. Ninfadora Tonks. Isso, a dos cabelos coloridos. Ela é diferente, de um jeito engraçado, chamativo. Devem ser os cabelos que mudam de cor de três em três horas, aquela mania engraçada de mudar a cara ou o corpo tão bonito que me causa estranheza o fato de ela fazer parte d'A Ordem.Jovem e encantadora.
O de diferente também era o nível de incomum que ela tinha em nossas reuniões. Enquanto eu, velho e cicatrizado, comia chocolate em silêncio, Moody resmungava com metade do nariz faltando e o Kingsley olhava pra todos com seus olhos arregalados e cansados...Tonks olhava sorrindo pra todos, sendo jovem.


 Ela deve ser interessante! Ela é interessante!
 Mas de nada vale um interesse quando se há a possibilidade de virar um monstro em um jantar noturno e arrancar a cabeça da Ninf...não, não Ninfadora! Não uma bruxa interessante, bonita e que me encanta. E sim uma criança, ameaçada pela maldição que me persegue.
  Entenda, Lupin!! Você é um maldito lobisomem, o medo que a garota teria é infinitamente maior do que o encanto que ela proporciona.


  Eu consigo conjurar um patrono poderoso o suficiente para derrubar as paredes de Azkaban.
 Eu consigo me transformar em uma fera lupina sem consciência ou escrúpulos.
 Eu consigo até deixar um dementador inconsciente com simples feitiços como o Riddikulus
 Mas se existe algo que eu não consigo é me manter afastado de Tonks. Eu realmente tentei. Mas o fato de trabalharmos juntos não colabora. E ela parece tão entusiasmada por estar n'A Ordem, curtindo tudo aquilo como se fosse mais um dia de loucura adolescente com que estava acostumada. E sempre perto de mim.  Seus cabelos coloridos sempre perto de mim, assim como sua pele de texturas e cores mutáveis, suas vestes sujas e de couro....e o espírito que, independente do corpo que ela escolhesse, sempre se mantinha rebelde e exótico...assim como seu nome. Sempre perto de mim, tão perto e tão distante. Assim por minha escolha.
 Sem contar que tem mais essa - Sirius Black, meu melhor amigo da época da escola, acaba de sair de Azkaban e agora convive conosco, depois de toda uma burocracia que teve que enfrentar por Hogwarts. A maior é que Sirius e Ninfadora são da mesma família (assim como Narcisa, Belatriz e Andrômeda, mãe de Tonks).
 É uma grande coincidência que os únicos Black de bom coração acabaram conquistando um espaço no meu. Sirius como um amigo, uma espécie de irmão que Hogwarts e Os Marotos me deram. E Tonks é...a garota que amo.
 Claro que isso não importa. Mesmo que o amor seja o sentimento mais belo de todos, de que adiantaria praticá-lo com um monstro dentro de mim só esperando pra tirar sangue deste coração pulsante?
 Um lobisomem e uma criança. Nosso amor resultaria em dor. Mas sabe de uma coisa? Nunca ansiei tanto pela dor.


  Foi num dia desses que eu não sabia como me sentir. Era um dia feliz, um dia de comemoração. Sentados em volta de uma mesa no Três Vassouras, eu e boa parte dos membros da Ordem enchíamos a cara de cerveja amanteigada. Claro, o motivo da comemoração não estava por lá...ainda era muito cedo para que Sirius ficasse conosco em público....talvez isso nunca chegaria. Um grupo de detentores da magia negra não pode andar por aí com alguém que é considerado um dos mestres de tal magia.
 Mas de qualquer maneira, estávamos bebendo e rindo pelo fato do grande Sirius ter escapado de Azkaban.
  - Ele ainda está bonito. Mesmo depois de Azkaban, não acham?
  Um comentário inocente, entre amigos e alguns copos de cerveja. E não sei se foram as cervejas ou o conforto que eu estava sentindo (porque, por Merlin, meu amigo escapou de Azkaban!), mas abri a boca e deixei um comentário escapar. Um comentário com besteiras e alguns medos que eu tinha, mas que, tenho certeza, soaram mais como loucuras de um bêbado:
 - Você pode ter se apaixonado por ele. - E entre risos, soltei mais uma lembrança de meu colega de escola. - Ele sempre teve as garotas.
 E tão rápido quanto eu disse minha besteira misturada com o que eu pensava e temia ser verdade, Tonks (há tempos eu não a chamava mais de Ninfadora) resmungou sua verdade que fingimos não entender:
 - Você saberia perfeitamente por quem eu me apaixonei se não estivesse tão ocupado sentindo pena de si mesmo.
 Eu já fui atacado por Comensais da Morte, bruxos das trevas, trouxas enfurecidos e até por uma árvore viva. Mas o que ela disse foi como um tapa em meu rosto. Um tapa daqueles que te deixa sentindo dor...um certo arrependimento por ter deixado-a com raiva e uma certa dor por notar que ela sentia algo por mim. Ela sentia algo por um monstro assassino, e isso Tonks nunca mereceu.
 Porém, também foi o tipo de tapa que meu egoísmo (uma das poucas características humanas que me restavam) fez com que fosse confortável. Confortável porque, sendo um tapa ou uma carícia, ela me tocou de algum modo.
 Felizmente, Tonks gosta de mim. Infelizmente, Tonks gosta de mim. O homem é o lobo do homem, a indecisão entre felicidade e medo...é o que define o amor.


Eu simplesmente devo vários agradecimentos a Sirius Black.
 Além de ser um ótimo amigo e me ajudar na época de escola, ele foi do tipo de pessoa que mesmo debaixo de lama ou sangue, seu sorriso continua sincero...independente das circunstâncias, Sirius sempre foi meu irmão.
 Além disso, ele era o assunto. O assunto em comum que eu e Tonks tínhamos. E eu o agradeço por isso.
 A adolescência de Sirius, o parentesco dele com minha ruiva/loira/morena favorita, nossas aventuras enquanto Marotos e membros da Ordem da Fênix...todos esse assuntos eram o que tornavam animadas as nossas conversas quando o silêncio surgia.
 Em nosso caso, é preciso quebrar o silêncio. O silêncio nos faz pensar, e pra nenhum de nós dois é bom ficar pensando. Ela com certeza se lembraria que é a única, além de Sirius, na família que não mata inocentes ou segue fielmente a Voldemort (sendo também uma das poucas "Black" que o chamava pelo nome). E o silêncio simplesmente me lembrava da maldição que estava em mim...um silêncio familiar para quem só é ele mesmo debaixo de um céu enegrecido e uma lua cheia brilhante. Assim, Sirius Black, o cara mais barulhento que eu conheço, nos ajudava a quebrar aquele silêncio desconfortável.
 Principalmente, deveria agradecer Sirius por ter sido o assunto responsável por Tonks finalmente dizer que gostava de mim.
 Se você estiver me ouvindo, Almofadinhas, quero que saiba que sou grato a ti. Me ajudou a ser um adolescente seguro, e depois, um adulto feliz.

 - Remo, precisamos conversar.
 - Tonks, sobre o outro dia. Desculpe pela brincad...
 - Não peça desculpas. Fiquei feliz que você brincou.
 - Feliz? Me pareceu tão brava.
 - No momento, sim. Mas fiquei feliz depois. Se não fosse por aquilo, eu não teria outra chance pra dizer o que sempre quis.
 - Sobre a beleza do Sirius? As garotas diziam isso o tempo todo no tempo de escola.
 - Por favor, não haja como um idiota arrogante que você não é. Não agora.  - Tonks nunca me pareceu tão adulta. - Olhe pra mim, Remo.
 Eu olhei. A garota segurou meu pescoço como se quisesse me esganar (eu realmente pensei que isso era o que ela queria fazer) e o puxou para perto de seu rosto. De olhos arregalados e ofegando quase que instantaneamente, vi a Tonks se aproximar cada vez mais...e me beijou. Na verdade, nos beijamos.
 Eu me senti tão bem. Finalmente tive aquilo que eu sempre quis...um beijo. E não qualquer beijo, um beijo da Tonks. Por conhecê-la tão bem, soube que a partir daquele momento não éramos mais colegas de trabalho ou conhecidos. Um beijo, tanto pra mim quanto pra ela, significava uma união. A união confortável de dois amantes que finalmente disseram a verdade. Para nós dois, estava claro que éramos, agora, um casal.
 Mas durante aqueles segundos que o beijo durou, notei muito mais coisas que ela. Um monstro apaixonado Para mim, estava claro que eu estava fazendo a melhor coisa da minha vida, mas a pior coisa pra ela. Um monstro que deixou a donzela iludida entrar em seu castelo, sabendo que qualquer sentimento puro e inocente seria convertido a sofrimento. Pra mim, estava claro que Tonks estava condenada.
 - Eu te amo, Tonks.
 - E eu te amo....Professor Lupin. - Ela riu, aquele sorriso de criança que me deixava feliz como uma.
 Nos beijamos de novo. Segurei sua mão sabendo que quando a soltasse, minha vida terminaria.
 A partir daquele momento, comecei a viver. E a partir daquele momento, Tonks estava morta.
 O dia em que fui mais cruel, o dia em que fui mais feliz. Como sempre, um maldito lobisomem egoísta.

sábado, 26 de julho de 2014

Se Guardiões da Galáxia fizer sucesso...

 Se aproxima a estreia de Guardiões da Galáxia, novo filme da Marvel Studios, baseado em um grupo de heróis existente nas histórias em quadrinhos. Ou quase.
 Desconhecidos do grande público e pouco conhecidos pelo pequeno público, Guardiões da Galáxia (que promete reunir ficção científica e comédia, e acrescentar trama intergalática ao Universo Cinemático Marvel) é um completo tiro no escuro.
 Se o filme fracassar em crítica e bilheteria, então a Marvel irá chorar pelos trilhões de dólares gastos na produção do longa.
 Agora, se for um sucesso....muita coisa vai acontecer e diversas áreas da cultura e do consumo popular irão ser afetadas.
 Querem exemplos?

domingo, 13 de julho de 2014

Sete coisas legais da Alemanha e Uma do Brasil.


 Sim, esse texto é por causa da derrota vergonhosa que a Seleção Brasileira sofreu da Seleção Alemã, perdendo de 7  a 1!
 Aproveitando que hoje, dia 13 de julho de 2014, é o dia em que teremos a final do Mundial de Futebol já que é proibido falar Copa, este vai ser o primeiro e último texto que terá alguma relação com os acontecimentos deste grande evento.
 Após a vitória massacradora da Alemanha, inúmeras piadas com Hitler e os episódios da Alemanha Nazista bombaram nas mídias sociais e em tudo quanto é página humorística do Facebook. O que nos faz pensar que toda a herança cultural popular que a Alemanha tem para nos dar é relacionada a Segunda Guerra Mundial.
 E não! Não é!
 Para desmistificar a Alemanha como "país só de guerra e palavras difíceis", lá vão sete (pelos gols) indicações de filmes, autores, bandas e outras coisas legais que se encontram na Alemanha...tá, e uma do Brasil pro nosso país não se envergonhar. De novo.


quarta-feira, 9 de julho de 2014

Deus se Escreve com D Maiúsculo.

Ilustração por Mateus Queiroz

 Edgar se sentia leve. Leve de tudo.
  Seus ombros mais leves, pois absolvera o peso dos inúmeros pecados que cometera no passado. A consciência mais leve pois agora dedicava sua vida a algo que acreditava possuir mais valor. E, sem arrependimentos, sentia seu bolso mais leve, e agora olhava diretamente para o motivo disto.
 Em frente ao sofá em que estava sentado, sua antiga televisão. Mas conectada a ela, o plano de TV por assinatura pelo qual havia se comprometido a pagar R$200,00 mensais: A Rede Benção, rede particular da igreja que começara a frequentar, em que 157 emissoras do pacote possuíam programação inteiramente de conteúdo religioso.
 Vazio de pecado, culpa ou dinheiro, Edgar se sentia cheio, como ouvira no culto, do Espírito Santo.
 Aquele também era um dia especial. Não por estar vivo em um mais um dia de sua recente salvação (como qualquer outro), mas por uma espécie de valor novo que resolvera aplicar em si: Aquele seria o primeiro dia em que Edgar não falaria mais palavrões.
 São palavras ofensivas. Feias. Pesadas. Desnecessárias. Até mesmo sem motivo, qualquer um daqueles dizeres poderia magoar, afastar e ofender brutalmente pessoas inocentes. Ao lembrar de como falava aquelas palavras...colocava a mão no peito e olhava para a cruz que possuía na parede de sua sala e agradecia pela nova vida que adotara, seu novo "eu" espiritual enojava seu passado pecador.
 Palavrões...como ele podia falar coisas assim?
 Apanhou o controle remoto e ligou a TV em um canal aleatório.
 Deu de cara com um pastor. Ao seu lado, três homens altos e fortes, de terno e, por algum motivo, imobilizando um homem, deitado no chão. O homem se debatia, esperneava, gritava e babava como um retardado mental.
 - Esse homem - gritava o pastor - está possuído! Com o espírito de Satanás em seu corpo, em sua alma e em seu coração!! ESSE HOMEM - agora o pastor berrava - É UM HOMOSSEXUAL! Esse homem vai contra as leis das escrituras ao dar e receber prazer de alguém do mesmo sexo!! E vai arder. ARDER - estranhamente, agora o pastor ria. - NO FOGO DO INFERNO QUANDO O DIA DO JUÍZO FINAL CHEGAR.
 Tudo aquilo era muito. Os gritos do pastor, do "endemoniado" e da multidão, que parecia estranhamente entusiasmada, assustava Edgar. Ele então, mudou de canal.
 ~click~
Viu então outro pastor, de pé, com uma estatueta de um santo do seu lado. O pastor discursava, enquanto chutava a imagem.
 - Isso aqui não é Deus coisa nenhuma. Isso aqui é uma aberração! Será que Deus pode ser comparado a um boneco assim? Feio! Horrível! Desgraçado! Isso só merece o desprezo.
 Edgar, ainda mais assustado, mudou novamente de canal.
  ~click~
 - Alguém acabou de doar o cartão de crédito aqui pra igreja, mas...cadê a senha? Sem senha não há doação, amigo fiel. Depois você pede milagre e não consegue, e vai achar que Deus é ruim
 click
  - União homossexual não é normal e nem permitida. Eles não deveriam ter filhos. Doentes não deveriam criar crianças. Não deveriam dar continuidade a nossa raça.
 ~click~
  - A AIDS é o câncer gay!
 ~click~
  - Africanos são descendentes de filho que Noé amaldiçoou. Fato da Bíblia. Africanos são amaldiçoados, e ninguém pode cancelar essa condição irrevogável.
 ~click~ ~OFF~
 Edgar desligou a TV. Estava aterrorizado.
 Como? Pessoas tão elevadas espiritualmente...como podiam? Absurdos...como podiam falar coisas assim?
 Respirou fundo e ligou a TV de novo.
 ~click~ ~ON~
  - O gene africano é amaldiçoado, espiritualmente falando. Mas não falo apenas pelos negros. Nós, pessoas brancas, também possuímos o gene africano. E é por isso que todos temos pecados na vida. E quem pecar sem arrependimento, vai arder e merece nossa pena.
 ~click~ ~OFF~
  Desligou a TV de novo. Pôs as mãos no rosto, olhou pra TV, para a cruz da parede...pensou no passado, no presente e em todos os absurdos religiosos que escutara.
 Respirou fundo, e gritou, em lágrimas:
 - Caralho!

domingo, 6 de julho de 2014

Influenciados pela Bela Adormecida.


 Em Bela Adormecida, de 1959, foi-nos apresentada Aurora, a terceira princesa oficial da linha de princesas Disney, tendo como antecessoras apenas as clássicas Branca de Neve e Cinderela, sendo também a primeira princesa cujo título do filme não é seu nome próprio. 
 Em todas as linhas de bonecas, toalhas, desenhos e derivados, Aurora é sempre a de menor destaque.  Talvez seja porque seu maior feito conhecido seja dormir por bastante tempo, ou porque as crianças não consigam associá-la com uma única cor, já que seu vestido é ora azul e ora rosa (devido a uma piada do próprio filme sobre as fadas Flora e Primavera trocarem as cores de seu vestido frequentemente).
 Portanto, popular com as crianças ou não, Bela Adormecida reúne o que há de mais clássico em todos os contos de fada Disney e criou vários conceitos utilizados ainda em próximos filmes da Disney.
 Dentro da própria Disney, dentro do núcleo de princesas e dentro do núcleo de filmes de contos de fada, Aurora consegui se mostrar em referências fortes...mesmo dormindo. 

terça-feira, 1 de julho de 2014

Os problemas de Pompeia.



 Entre os filmes ruins que existem em todo o mundo, são poucos os que rendem vários tópicos apenas sobre seus defeitos.
 E um desses poucos com certeza é Pompeia, filme de 2014 dirigido por Paul W.S. Anderson, que aparenta ser o último suspiro da onda de filmes de catástrofe que se iniciou com o apocalíptico 2012.
 É quase consenso entre todas as pessoas do mundo que Pompeia é um péssimo filme (apenas não procure a opinião de Marcelo Hessel sobre o longa, pois esse cara ás vezes se equivoca feio).
 Entenda, passo por passo, quais são os GRANDES problemas que fazem com que Pompeia seja tão ruim a ponto de merecer que um vulcão a destrua.