sábado, 27 de abril de 2013

Homem de Ferro, Santos Dumont e Izzy Nobre.

O aparelho eletrônico (seja computador, celular ou qualquer outro dispositivo) que você está usando para ler este texto não nasceu assim pronto, com telas LCD, Bluetooth, conectividade Wi-Fi e com o símbolo da Apple colado nele.
Provavelmente, esse seu aparelho foi criado como algo enorme e completamente diferente do que é hoje. Seu computador não foi criado pra zerar Call of Duty e sim para fazer operações matemáticas. As pessoas que inventaram o primeiro celular nunca chegaram a pensar que estavam inventando algo que um dia seria usado para enviar mensagens de textos e cuidar de bichinhos virtuais, pois, para eles, não era nada mais do que um telefone comum...só que móvel. 
E toda essa evolução tecnológica começou a partir do momento em que o garoto nerd e canastrão Bill Gates colocou a boca no trombone e trouxe para o grande público as novidades da tecnologia, fazendo com que as pessoas conhecessem e começassem a achar que toda aquela "mágica mecânica" era interessante. E vários outros estudantes de informática e de qualquer outro tipo de desenvolvimento tecnológico começaram a patentear seus novos aparelhos e suas novas ideias...todos baseados em Bill Gates que, por sua vez, (como contam as historias do submundo da Internet e estudo dos computadores), copiou toda a sua ideia original de um carinha conhecido como Steve Jobs.
"Ok, legal a historia da evolução da internet e da tecnologia...mas o que Steve Jobs, Bill Gates e tudo isso tem a ver com o título do texto?"
Nada se cria, tudo se copia, se modifica e se acrescenta.
Este texto (assim como toda a história da computação) são boas provas disso. 
Ao se ler um texto sobre alguma ideia, é fácil desenvolver alguma ideia nova a partir das que te foram apresentadas. E isso também acontece com vlogs.
Na realidade, isso aconteceu com um vlog...e todo o conteúdo do texto que você está prestes a ler é formado de ideias desenvolvidas por mim a partir de ideias que o famoso internauta Izzy Nobre apresentou em um de seus vídeos.
Se quiser ter uma noção maior antes de ler o que está no desenvolvimento deste texto, assista esse vídeo que, mesmo que tenha originado todas as ideias deste artigo, não aborda o exato mesmo assunto.


Izzy Nobre, ao fazer esse vídeo, expôs toda as suas opiniões e seus argumentos sobre o fato de que devemos admirar e nos lembrar dos fatos admiráveis sobre a vida de Santos Dumont, o nosso suposto pai da aviação. Um fato ao qual Izzy se refere muitas vezes neste vídeo (sim, MUITAS vezes) é o fato de que Dumont usava seus aviões, construídos em casa, como se fossem meios de transporte super comuns..o que não eram lá por volta de "1900 e 14-Bis", arrasando quarteirões montado em um avião enquanto todos os outros cidadãos do mundo andavam de carro e bondinho.
"O Santos Dumont saía pilotando os aviõezinhos dele por Paris como se fosse o carro dele. [...] Olha só, se hoje em dia tu tens um amigo que construiu, no quintal dele, um avião que ele usa pra pilotar por aí como se fosse o meio de transporte pessoal dele, como se fosse um carro. [...] Hoje em dia, em 2013, isso já seria inacreditável. Um cara que simplesmente construiu uma máquina voadora com suas próprias mãos e as usa como se fosse seu meio de transporte. O filho da puta fez isso no começo do Século Vinte! "
E assim, Izzy Nobre nem precisa dizer mais nada sobre a porcentagem de "estilo" que Santos Dumont tinha...mas logo em seguida ele entra com a seguinte frase :
 - Santos Dumont foi o Tony Stark brasileiro.
Sim, você não leu errado.
Tony Stark. O Homem de Ferro. O Robert Downey Jr.
No momento você ri, e acha interessante e perspicaz essa relação que Izzy Nobre faz entre o personagem histórico e o personagem dos quadrinhos/cinema/desenhos Homem de Ferro. Mas, analisando um pouco melhor, a vida de ambos os sujeitos é incrivelmente parecida.


Como sempre, tudo começa do começo (o pleonasmo é terrível, mas essas são exatamente as palavras certas a se usar). 
As origens de Tony Stark todo mundo conhece. Homem multi-milionário desenvolvedor e distribuidor (por meio das Indústrias Stark) de armas. Mas esse não era um negócio dele, e sim algo que ele herdou. Tanto sua genialidade, seu carisma, seu "jeito" com máquinas e boa parte do seu dinheiro, Tony já tem mesmo antes de nascer, devido a seu pai Howard Stark, igualmente gênio, playboy, milionário e filantropo (idêntico ao que o filho iria se tornar), só que em épocas diferentes. Boa parte do que é e do que se tornou, Tony deve ao papai.
E com Alberto (primeiro nome de Santos Dumont), não foi diferente. Ser rico desde criança, devido ao fato de sua família ser produtora de café, é algo que facilita e alimenta bastante a "vontade de estudar" (ainda mais naquela época, onde estudar era tudo que podia ser feito com tempo livre) de alguém. Tendo dinheiro e curiosidade, Dumont poderia ter começado a estudar qualquer coisa que quisesse... mas, sendo filho de Henrique Dumont, "um engenheiro francês maluco que fazia invenções e traquitanas malucas na fazenda da família", logo a engenharia mecânica e a "vontade de criar" brotou no coraçãozinho de Santos Dumont, que não seria conhecido como é se não fosse por suas invenções. Aliás, uma das coisas que ainda não foram mencionadas neste texto é o fato de Santos Dumont ter inventado, supostamente, o avião e também o relógio de pulso. Isso! Essa coisa no seu braço aí nem existiria se não fosse Santos Dumont...e a vontade dele de construir esse relógio também não existiria se não fosse o incentivo que o pai dele lhe proporcionou.
Então, se tem algo que Tony Stark e Santos Dumont se sentiriam obrigados a fazer em suas entrevistas seria dizer:
- Quero agradecer ao meu pai!

Em um mundo com super-heróis e explosões nucleares em abundância, o máximo do "estilo" que alguém pode atingir se utilizando da tecnologia é construir uma armadura feita de titânio e ouro para voar por aí e lutar contra bandidos. Não é preciso dizer que isto se refere ao Homem de Ferro. Em um mundo onde cientistas são conhecidos por serem feios, ocludos e malucos, ser um cientista e inventor que usa um "bigode da moda" é algo que chama muita atenção. Exatamente o que Stark quer : Atenção. Afinal, o cara tem, á sua disposição, quantos jatos, carros e navios quiser...viajar de armadura voadora é puro capricho e estilo. 
Mas não são apenas armaduras de titânio que servem como sinônimos de estilo. Voltando ao mundo real, imagine que os únicos transportes que você conhece são os carros. Os automóveis são a mais alta tecnologia que você e o povo de seu tempo tem conhecimento...e, de repente, você constrói um carro voador (que mais tarde seria chamado de avião) e sai andando, ou voando, por aí com ele como se o futuro  houvesse chegado mais cedo pra você. Tudo isso sem despentear o bigode e sem deixar o chapéu cair. Isso é estilo, isso é Santos Dumont!


Mas certas coisas pesam, nada tem apenas lado bom...
Você acabou de se imaginar em uma situação em que se locomove com um meio de transporte ao qual ninguém tem acesso, além de você. Agora, seja um pouco mais ousado com sua imaginação. Imagine também que as pessoas gostaram da sua invenção, e começaram a fabricar outros iguais aos seus. Não apenas iguais, mas também começaram a fabricar aviões melhores do que o seu. Aviões mais tecnológicos, mais fortes e com melhor agilidade durante o voo. Você vê seu sonho se tornando realidade, sua máquina finalmente começa a fazer o que você queria que ela fizesse... você está ajudando o mundo, involuntariamente ou não.
Mas, infelizmente, você vê que seu mundo começa a desabar. Começam a fazer exatamente o contrário do que você queria. Pegam a sua invenção, que você fez com tanto carinho para que servisse ao mundo e começam a usá-la de forma prejudicial ao mundo. O meio de transporte em que você trabalhou duro está sendo usado em guerras, matando pessoas e destruindo boa parte do mundo que você estava tentando ajudar.
Isso ocorreu com Santos Dumont e seu avião...e nosso querido gênio não aguentou toda essa pressão e, em 23 de Julho de 1932, Dumont se suicidou.
Que interessante! Toda essa triste história real de "a invenção deprimindo o inventor" e máquinas criadas para manter a paz sendo usadas para movimentar a guerra...tudo isso parece bem familiar até para quem nunca estudou a história da aviação brasileira e nunca nem ouviu falar de Dumont.
Tudo isso é muito parecido com um filme. No filme Homem de Ferro 2 (de 2010, dirigido por Jon Favreau), vemos um personagem passando pelo mesmo dilema. Tony Stark acabou de anunciar publicamente de que é o Homem de Ferro e que tem acesso a uma armadura de alto poder destrutivo e alta periculosidade sobre o mundo. Até que, em uma corrida realizada em Mônaco, ele percebe que outras pessoas também tem acesso a essa tecnologia, e que elas só tem esse poder de destruição em mãos porque ele mostrou ao mundo que isso era possível e não tão difícil.
A sorte é que Stark sempre foi alguém que não demonstra tanto os seus sentimentos quanto Dumont. Dumont foi sensível e deixou que a morte de pessoas causadas por seus aviões o debilitasse, Stark aguentou a sensação de "destruidor" enquanto a tecnologia a que ele deu início devastava países e explodia mansões.
Uma das diferenças, é que Stark não se suicidou...ainda. Se a arte continuar copiando a realidade, Stark pode dar um fim á sua vida a qualquer momento, já que na revista "Homem de Ferro e Thor" número 26 ele já demonstrou ter essa vontade.

A história de Santos Dumont acabou em 1932, a história do Homem de Ferro começou a ser desenvolvida por Stan Lee em 1963.
Stan Lee já confessou ter se inspirado no livro "O Médico e o Monstro" para criar o Hulk, que se inspirou em um sobrinho desempregado para criar o Homem Aranha e que se inspirou em animais mutantes para criar os X-Men. Não seria nada inacreditável presumir que tudo isso não fosse apenas coincidência e que Stan Lee houvesse estudado a história do Brasil e se inspirado em Santos Dumont para criar Tony Stark, o Homem de Ferro, que se tornaria, anos depois, o super-herói mais popular e mais querido entre o grande público.

(Montagem por Izzy Nobre)

domingo, 21 de abril de 2013

Etiqueta.


Lúcio comprou uma camiseta.
Era uma camiseta muito bonita e custou caro. Mas, como Lúcio gostou muito da camiseta, a comprou sem problema nenhum.
Acontece, que aquela camiseta era uma camiseta de uma marca muito famosa. Para falar a verdade, isso não significava nada demais, apenas que era uma bela camiseta azul que tinha colada, nas costas da camiseta, uma etiqueta na qual tinha bordado o nome e o logotipo de uma marca famosa.
Todos adoraram a camiseta de Lúcio, e alguns até chegaram a se aproximar dele apenas porque foram atraídos por sua camiseta. Lúcio ganhou amigos novos e ficou até sabendo de algumas garotas que estavam apaixonadas por ele.
Tudo isso graças á sua camiseta, que ele comprou por achá-la extremamente bonita.
Mas havia um probleminha. Usar aquela camiseta o incomodava muito, por causa daquela maldita etiqueta das costas. Sim, aquela etiqueta sem importância a qual mencionamos antes. Aquela que tinha, bordada em si, o nome e o símbolo de uma marca famosa.
Então, com vontade de se sentir confortável com a camiseta, Lúcio cortou essa etiqueta.
Lúcio perdeu seus amigos, as garotas pararam de falar com ele.
E disso, o que restou foi um cara legal com uma camiseta azul.


quarta-feira, 3 de abril de 2013

Por trás da letra de 3005 (Scars on Broadway).


Há certo tempo atrás, fiz a análise da letra de Sugar, uma das melhores e mais famosas músicas da banda armeno-americana de metal alternativo System of a Down.
Hoje, mostrando lealdade e fanatismo por System of a Down, trago a análise da letra 3005, da banda Scars on Broadway de hard rock e heavy metal.
"Ué, como você começa falando de System of a Down e termina falando de Scars on Broadway?"
Fácil de responder.
Em sua primeira formação, SOB tinha como vocalista o guitarrista e backing vocal do SOAD (Daron Malakian), e também como baterista o baterista de SOAD (John Dolmayan).
Portanto, um fã de System of a Down (que sou) também é um fã em potencial de Scars on Broadway (que também sou)....e se há uma análise de Sugar neste blog, não pode faltar uma análise de 3005.

Vamos bater palmas
para o presidente.
E para Jesus Cristo
E eu mencionei Charlie Manson?
E todo mundo mais que foi legal.

Neste trecho, a música, composta por Daron Malakian, expressa um tom de ironia. É como a letra "Perfeição" de Renato Russo, onde surge o convite "vamos celebrar a estupidez humana" e, em seguida, exemplo dessa estupidez. É um tanto quanto irônico que batamos palmas para políticos corruptos, figuras religiosas (inexistentes pela visão ateia de Daron) e até mesmo Charlie Manson, um assassino cruel que foi considerado o homem mais cruel que já pisou na face da terra. Deixemos que nossa sociedade que não distingue o bem do mal, bata palmas pra essas personalidades que só fazem danificar nosso mundo.

Vamos cantar uma canção
para as pessoas assustadas.
Procurando no ar,
se você procurar muito bem,
vai ver que estou lá.

Bombardeando o seu mundo.
Assistindo todos os idiotas da ressurreição perdendo seu terreno. 

Neste ponto da canção, Daron diz que as pessoas, alienadas com sua religião, não percebem o que realmente acontece. Ficam procurando respostas para tudo na fé, em sua religião, no céu (no ar).
Devido a isso, Daron diz que a guerra virá, e quando este dia chegar, ela já terá morrido, mas suas palavras estarão sendo ditas por homens poderosos que criarão guerras e vencerão os religiosos, que não possuem, segundo Daron, preparo para essas guerras.

Vamos bater palmas
para o genocídio.
E a internet.
E todas as formas de comunicação 
que estarão perdidas quando estivermos mortos.

Novamente, Malakian nos faz lembrar de que batamos palmas e celebremos o fato de não nos importarmos com problemas realmente importantes e também o fato de que perderemos tudo o que temos com as guerras que virão, incluindo todas as mídias de comunicação, como a internet.

Você nunca sobreviverá.
3005
Enquanto você afunda no oceano
eu estarei na minha nave espacial. Sobrevivendo.

Bombardeando o seu mundo. 
Assistindo todos os idiotas da ressurreição perdendo terreno.

Sim, eu estarei aqui, bombardeando o seu mundo,
e assistindo todos os idiotas da ressurreição perdendo terreno. 

Mais uma vez, Malakian faz alusão de que você (no caso, se referindo a um fanático religioso), nunca sobreviverá a uma guerra para qual não está preparado. E várias vezes, a letra repete o fato de que ele (sua ideologia) estará aqui, bombardeando o mundo e assistindo de camarote a queda dos religiosos fanáticos que, um dia, não se importaram com nada.

Vamos bater palmas.
Para o presidente.
E o Mickey Mouse.
E para todos os outros filhos da puta que estão queimando nesta casa.

E, finalizando a letra, Malakian repete a necessidade do povo burro a aplaudir e ovacionar humanos que danificam cada vez o mundo, dessa vez substituindo Jesus Cristo por Mickey Mouse, numa forma de comparar a figura religiosa a personagens fictícios e inexistentes, e também numa forma de criticar a mídia de um modo geral.

É este tipo de música e pensamento que Daron Malakian executa que nos faz pensar seriamente sobre o futuro da população.
Porque estando envoltos no fanatismo religioso que destrói famílias e amizades, realmente ficamos sem saber o que pensar que estará acontecendo em nosso mundo por volta do ano de 3005.